Um pouco sobre meus textos


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Alguém já deve ter notado: meus textos só trazem saudade. Eu já tentei, mas sempre acabo envolvendo principalmente esse sentimento nos meus textos. Não é nada fácil escrever uma coisa que observamos no dia-a-dia e ultimamente as pessoas gostam de escrever sobre amor, amizade e saudade.
Quem tem blog sabe que é mais fácil escrever sobre um sentimento distante do que um sentimento muito próximo e alegre... aquele sentimento que você sente quando ganha aquilo que deseja, ou quem deseja! Ou melhor... é fácil escrever algo por alguém que você gosta muito porque esse sentimento é verdadeiro.
Escrevo as coisas que me cercam, não gosto de frases feitas sem menor sentido, gosto de te deixar pensando sobre a intensidade das coisas. As vezes é tão difícil pensar qual será o próximo post que surgem tantas ideias que nem sei como organizo-as. Admito que todos os dias de manhã eu penso sobre isso e eu comecei a observar mais as pessoas desconhecidas na rua.
Adoro romance, e também suspense. Gosto de coisas completas e não interrompidas. Gosto de tudo quando começa, e não de quando ou como elas acabam sem menor sentido.
Meus textos possuem muito sentimento, porque sem sentimento nós não vivemos.

(Vivian Fernanda)

Desce aqui


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A cor dos teus olhos roubam a minha respiração

Dois diamantes que colorem perfeitamente sua face

Duas piscinas de tonalidades misturadas

Verde ou azul?


Tuas palavras, tuas histórias

Você me faz sonhar

Voar e pousar dentro delas


Tua ausência está

Em todos os cantos

Vazios de minha casa


Volta pra cá

Desce aqui

Sente aqui do meu lado

Preciso conversar contigo

Preciso te sentir


(Vivian Fernanda)


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"Queria que meu lugar fosse aqui, mas algo parecia tão errado". (Avril Lavigne - Breakaway)

Despertou com o toque irritante que a faz acordar assustada todos os dias. Vestiu a roupa das sensações diárias e andou dois quarteirões até chegar ao colégio. Esperou seis tempos de aula para que pudesse voltar para casa. Chegou. Comeu um lanche e voltou para o mesmo lugar, mas agora estava entusiasmada porque conseguiu um papel no teatro. Subiu no palco e vestiu a máscara da mentira. Enganava a si própria e ao público, que imaginariamente lhe assistia. Esgotou o tempo da aula. Deslocou-se em frente a algumas salas. Sentou em um banquinho azul.

Ele estava presente. Caminhou em sua direção e parou em sua frente. Resolveu dar um sorriso meio desbotado e retalhado. Os olhares deles se encontraram, de um jeito incoerente, como se estivesse acontecendo algo de ruim, mas que ninguém tentasse impedir. Ele respirou fundo e tropeçou em palavras inconvenientes, assim como cospem no chão quando algo é ruim, nojento. Não era o que ela esperava, mas o destino revolveu atirá-la contra o chão. Dói, machuca, desgasta. Atirou-as de volta para o mesmo lugar aonde foram arremessadas. Aquele lugar ficou vazio, miúdo também. Vestiu-se então a fantasia do desgosto e da saudade. Voltou para casa.

Lembrou-se de cada raio de sol daquele dia, e das gotículas de chuva que caíram das nuvens dos seus olhos serenos. Carros buzinavam na rua, pessoas falavam em um elevado tom. Mesmo com bastantes corpos se movendo, viu o mundo sem cor, a comida ficou sem gosto e suas fantasias já não faziam mais graça nem efeito. Durante horas misturavam-se uma junção de momentos, palavras, sentimentos e erros, que ficavam cravando sua consciência. Já não sabia o peso das palavras e muito menos dos seus gestos. Os minutos estavam passando rápido. E o amor? Também.

"Você me dá razões que eu nunca pareço entender, elas não fazem sentido, talvez não sejam suficientes para o meu coração, veremos, não foi um bom começo". (Avril Lavigne - All you never know)

(Vivian Fernanda)

Bagagem


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Achou que a terceira pessoa lhe caia bem, mas o relógio (da vida) parou de funcionar por falta de cuidado, e o tempo se perdeu entre eles.
Uma folha foi rasgada ao meio, cada pedaço partiu-se para direções opostas (assim como todo mundo espera que seja) e a usaram para rascunho, que ficou borrado, sujo, com letrinhas rabiscadas ou com imagens mal feitas, e sem vida esse papel ficou desgastado.
Usou a voz dos mudos e a máscada do teatro, chorou no violão notas pra ninguém, e fez um som desagradável, assim como ardem suas palavras de tocar no assunto.
Pendurou no seu museu de lembranças, porém não deixou-se levar pelo esquecimento e guardou entre sólidas paredes do coração.
Só deixou pendurado para que não possa esquecê-lo, porque talvez ela ainda se importe com a bagagem que carrega na mente e no coração.

(Vivian Fernanda)

A insuportável transparência das coisas


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"Aquilo que não foi, e que esperavam que fosse".

Te vejo, menina, com um olhar perdido, desejando não acreditar em toda a verdade que está te corroendo.
Te vejo, menina, em lugares barulhentos, mas você parece estar distraída a todo esse movimento, deve estar com um pensamento distante.
Sento ao teu lado, te pergunto se está tudo bem, mesmo sabendo qual é a resposta, e você afirma, e sei que mentes pois sua expressão e seu jeito reprimido não me enganam nada.
Eu sei, porque participo deste elenco que participas e sei que um bom ator brinca de enganar em cima do palco.
Você chora ao lembrar-se, esconde o rosto.
Era frio, mas eu não sabia se estava mais gelado no lado de dentro da tua blusa, ou no de fora.
Dentro de ti, esse balde de água fria que te despejaram, fez com que essa chama quente se apagasse, virou cinzas, e você está tentando varrer para o lado de fora do seu coração.
E qual é o nome do espetáculo?
" Amor líquido...

Quando sabemos que ele precisa morrer mas não temos coragem de matá-lo"

(Vivian Fernanda)


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Retiro-me desse lugar antes que eu cause mais danos e quando as coisas ferverem mais ainda, você pode me culpar por tudo isso. Já era uma velha novidade desamarrar os cadarços da língua e falar o que eu bem entendia, mas o que eu não sabia era que pessoas pussuíam sentimentos e que eu, inconveniente e sem notar, cutucava os sentimentos mais profundos delas.
Quando acordei em minha cama, eu tinha tudo, mas eu estava sozinha nessa estrada. Peguei umas das caixinhas que me mandaram escolher e abri, veio cheia de momentos que eu desejei poder mudar, mas já era tarde. Ninguém vive sozinho, e eu precisava mais do que tudo alguém ao meu lado.
Se eu pudesse falar contigo, gostaria que soubesse que estou me sentindo perdida, mas não estou partindo porque temos histórias para descobrir, livros a serem escritos por nós e contos para serem recontados. Foi com você que passei a maior parte da minha vida aprendendo o prazer de viver.

- Para a mulher que pedi perdão.

(Vivian Fernanda)

Sem você


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Quando soube que meu pai morreu na véspera do meu nascimento senti um vazio. Isso me deixou sentindo como se eu não estivesse viva.
Desde que eu nasci minha mãe sente a falta dele, eu sei disso, ela transmite. Eu nunca pude ver o rosto dele, eu nunca pude sair pra jantar fora, ou simplesmente abraçá-lo. Ele morreu. Tiraram de mim a oportunidade de viver com ele.
Abri umas das caixinhas que mamãe escondia no porão e vi algumas fotografias que estavam lá dentro. Haviam várias fotos deles juntos, eles eram tão felizes.
Ainda não consegui entender, parece que estou em um pesadelo, em qual eu queria poder acordar e sentir um alívio por não ser real.
Está ausente teu lugar na mesa, falta tua voz, falta teu vulto.
Queria poder conversar contigo pai, falar de tudo sobre o que me ronda, mas não estas mais aqui. Sem você minha vida é imperfeita.

"Cedo ou tarde a gente vai se encontrar tenho certeza, durma bem melhor" (Nx Zero)

(Vivian Fernanda)

Obs: O marido da amiga da minha mãe foi assassinado esses dias, e essa mulher está grávida, a criança vai nascer daqui a alguns dias, e eu sei como machuca isso tudo que esta acontecendo na vida dela e fiz esse texto pensando nela. Meu vô morreu dia 09 de abril de 2008, e eu sinto uma imensa falta dele, e ontem foi dia nove de abril e fazem dois anos que ele morreu. Por eles dois entrego meu silêncio.